Pimenta ardida

 
O jogo do BBB18 até agora se mostrou um jogo atípico. Aqueles velhos motes de romance, amizades para o resto da vida, mulheres e homens bonitos e bem posicionados no jogo, nada disso está funcionando para as torcidas aqui fora. De um lado temos um grupo grande na casa disposto a jogar o que eles chamam de “game”, ou seja, disposto a encarar os adversários como meras peças no tabuleiro do jogo BBB.
Do outro, temos jogadores sem essa vontade de jogar, mas com pouca capacidade de engatar uma história cativante. Talvez por isso, o trio formado por Clara, Gleici e Mahmoud comece a chamar a atenção do público, pois mesmo sem existir um afeto real entre os três, começa a aparecer entre eles uma afinidade através de um jogo transparente ao público. E talvez eles construam uma alternativa ao jogo frio e calculado implantado pelo G7.
Dentro desse contexto, Ana Paula poderia estar batendo um bolão. Disposta ao jogo interno, com boa capacidade de enredar em sua teia seus dois parceiros de jogo, Patrícia e Diego, se impondo sobre a falta de personalidade de Patrícia e a omissão do Diego, Ana Paula inverteu seu jogo de grande rejeitada da casa para uma espécie de chefe dos votos combinados do G7. Mas Ana Paula é excessiva, não tem medida, não tem empatia com o outro seja aliado ou adversário, olha apenas para o próprio umbigo.
E, mais, desrespeita seus adversários num tanto que impossibilita qualquer defesa de seu jogo, apesar de ser um jogo interno competente. Chamar suas coleguinhas de confinamento de “vaca”, “vagabunda” e afins vai além do jogo, coloca a avaliação da Ana Paula de seus adversários no campo pessoal levando o público a julgá-la também de maneira pessoal. Essa personalidade excessiva pode ser a derrocada do jogo interno da bruxa do BBB. Ao não ouvir o outro, ao passar como um trator sobre as argumentações de seus aliados, Ana Paula atrai para si a antipatia do grupo.
Ninguém gosta de ser manipulado. Mas, ninguém tampouco ainda se colocou contra ela porque está sendo conveniente para todos. Paula soube que ia ser votada e pensou que uma boa estratégia seria ir para a cozinha, ser simpática com o trio e quase beijar o Breno na festa de ontem. Wagner sabe que Ana Paula manipula os votos dele e até o momento continua se submetendo a esse jogo. A votação de hoje à noite será um bom momento de redenção para Wagner. Ana Paula é a menos querida pela avaliação que eles fazem todos os dias, mas o G7 continua se perfilando com os desejos da bruxa. Estou aqui aguardando esse povo acordar e dar um sacode nesse jogo previsível de se defender de maneira tão oportunista.
Talvez de todos do elenco Kaysar seja a expressão mais próxima do jogo padrão do BBB. Kaysar é um indivíduo simpático, alegre, faz um jogo cativante que pode levá-lo à Final do Big Brother quiçá, ao prêmio tão almejado. Kaysar não se faz de vítima da vida e esse é seu grande mote. Ele é um turista solteiro curtindo o Brasil e o Rio de Janeiro, o que faz de seu jogo algo colorido sem necessidade de alardear sofrimentos externos. Kaysar disse que os brasileiros vão para o estrangeiro lavar prato e, no entanto, têm vergonha de exercer a mesma atividade aqui no Brasil. Mas essa é uma visão de um estrangeiro em outra terra, de alguém que não está inserido em sua própria cultura. Kaysar é formado em hotelaria e, acredito, tenha sonhos de crescer profissionalmente no Brasil. O jogo analisado tem que ser aquele jogado dentro da casa, as histórias aqui de fora pertencem a outro personagem que pouco nos interessa, senão teremos que falar da vida sofrida de todos os jogadores. Poucos ali têm vida fácil.
Neste jogo quem surpreendeu e foi muito além das expectativas foi o jogo da Ana Clara. O sonho era do Ayrton, mas quem se mostrou a grande jogadora foi sua filha. Sagaz, inteligente, com personalidade marcante Ana Clara só não voa mais porque tem sua imagem atrelada ao pai e seu jogo engessado nessa dobradinha que foi importante até o momento, mas que já perdeu sua finalidade. A ruivinha do BBB18 é um pássaro com as asas cortadas pela presença do pai. Ayrton saiu da postura do pai transgressor para o pai controlador. Acredito mesmo que essa relação tumultuada que assistimos entre pai e filha seja a verdadeira maneira como eles se tratam aqui fora.
E por mais que a gente critique determinadas atitudes do Ayrton foi ele que formou essa menina com uma visão de mundo capaz de abraçar a Gleici e apoiar o Mahmoud sem se preocupar com os códigos acenados pela turma balada top. Apesar de ter apenas 20 anos, Ana Clara mostrou mais maturidade e um olhar mais abrangente sobre o outro do que muitos que estão no jogo e são mais velhos do que ela. Suas opiniões sempre são embasadas com conteúdo e reflexão lógica sobre o assunto. Mas, ao mesmo tempo, ela é uma menina capaz de alimentar uma paixonite pelo Breno, ter um certo controle sobre essa paixão, mas sem arredar pé de seu desejo de mulher. Breno beijou uma boca que não deveria ter beijado e fez promessas veladas à pessoa errada porque Ana Clara mostrou não ser o tipo de pessoa que deixe situações passarem batidas em sua vida.
Ayrton até o momento teve um papel de segurar um pouco a filha nesse jogo, talvez sozinha Ana Clara tivesse sido mais ousada e se perdido em sua trajetória. Mas esse momento de retenção já passou, Ana Clara precisa alçar voos maiores e acredito piamente que se ela voltar do paredão desta semana a produção do programa deveria cogitar a possibilidade do público escolher quem eles desejam que siga adiante, Ana Clara ou Ayrton.
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