Escolhendo01

Chegamos a mais uma final de temporada do Big Brother Brasil. A pior de todos os tempos? Pior do que a final da edição passada? Eu diria que não, pois o BBB15, apesar de seus percalços, conseguiu envolver o grande público e isso já é uma grande vitória em relação ao BBB14. Esta edição prometeu muito e cumpriu pouco, parecia ter um bom elenco que poderia ter rendido histórias memoráveis, mas ficamos a mercê da falta de inteligência emocional dessa turma da décima quinta edição. Ficamos carentes dos grandes gestos. O BBB15 pareceu a nova novela do horário nobre da Rede Globo, Babilônia, um excesso de vilões e carência de mocinhos que espelhem aquilo que o grande público quer ver seja nas novelas ou nos realities shows.

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A gente não quer romance, ou pelo menos não queremos qualquer romance, a gente quer atitudes que emocionem, que nos reabilitem a crença no ser humano. Simulacros de amizades, de relacionamentos, de entrega, esses serão todos rejeitados e deixarão frustrados milhares de telespectadores. Fernando foi eliminado e usa em sua defesa o fato de ter se entregue às suas emoções, de ter se exposto demais. O que ele não consegue entender, ou finge não entender, é que o problema não foi ele ter se exposto em demasia, mas o que ele nos mostrou quando se expôs. Acho interessante usar isso como desculpa, como se fosse algo positivo e ainda encontrar uma maneira de se rotular corajoso mesmo que nessa exposição tenha se mostrado falsidade, falha de caráter e covardia.

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Fernando perdeu o jogo quando achou que Aline tinha sido rejeitada pelo público e então decidiu dar uma guinada de cento e oitenta graus em sua trajetória negando tudo que havia dito e mostrado até aquele momento. Fernando mudou de personalidade? Não, apenas revelou sua real pessoa ao se confrontar com uma situação adversa. E ao revelar-se não prejudicou apenas a si mesmo, como ele disse hoje no Programa da Ana Maria Braga, mas também a Aline, Mariza, Adrilles, o programa e a torcida que lutou por ele no primeiro paredão e estava pronta para fazê-lo campeão. Ele frustrou milhares de pessoas. Por mais triste que possa ter sido para quem vinha acreditando no carioca, esse é o grande barato do confinamento, essa capacidade de revelar a real faceta dos jogadores.

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Mesmo Cezar não se encontra imune a esse efeito. Claro que de uma maneira menos comprometedora já que ele conseguiu manter-se isolado e dentro de um jogo de convivência praticar exatamente o oposto. Mas, mesmo assim, Cezar se revelou. Revelou seu lado canastrão de ator figurante da Rede Record, revelou seu lado de político com discurso rebuscado, provavelmente inspirado em Odorico Paraguaçu, personagem antigo do saudoso Paulo Gracindo. O público enxergou tudo isso. Não acho que seja uma questão do Cezar estar enganando a todos. O problema é que o público não está se importando. Está preferindo abraçar essa caricatura ambulante para não abraçar a falta de vergonha na cara mostrada por tantos desta edição.

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Não é a toa que Mariza foi a única que conseguiu fazer frente à popularidade do Cezar. Mariza foi o único artigo genuíno nesse jogo e sua verdade nua e crua conseguiu balançar o teatro montado pelo Cezar. Infelizmente, enquanto Mariza crescia no jogo, Cezar já tinha conquistado muita gente pelo fato de ter sido apontado, criticado e rechaçado pelo grupo. Quando colocaram Cezar na berlinda querendo convencer o público que seu isolamento era auto provocado, todos os jogadores, com exceção da Mariza, começaram a abrir mão do prêmio entregando-o nas mãos do Cezar.

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Faltou inteligência emocional nesse jogo e sobrou truculência. Truculência essa que impediu que o grande público se apaixonasse por Rafael e Talita, por exemplo. Eles tinham tudo para serem um belo e querido casal desta edição. Tudo menos elegância, delicadeza de sentimentos e generosidade. Essas mesmas qualidades que faltaram a maioria dos jogadores. Parece que o grupo todo já chegou com um projeto montado e com um padrão de comportamento estabelecido que apostasse no embate constante, como se houvessem sussurrado em seus ouvidos um modelo ideal de comportamento no jogo.

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Amanda montou uma pantomima da história da mulher lesada e submissa, mas a ela também faltaram os grandes gestos, a entrega verdadeira. Maria, que talvez tenha sido sua fonte de inspiração, ou Fernanda Keulla foram pessoas que tinham um lado adorável, bem humorado, um brilho nos olhos que era fruto de uma real entrega ao jogo. Amanda é sombria, soturna e pobre em sua participação cuja maior emoção se pautou numa relação doentia com Fernando.

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Quando ela falou que esses dias junto com o carioca tinham sido os mais felizes de sua vida eu tive certeza de que Amanda vive um grande teatro, pois é impossível achar felicidade num homem que claramente a despreza. E, mais, quem afirma com tanta certeza, como ela o fez na saída de Aline, que ela iria pegar o Fernando e conseguir fazê-lo, não pode ser uma pessoa insegura e frágil em suas relações amorosas. Amanda viveu um romance de conveniência, tal e qual uma parasita oportunista que gruda no outro e suga toda a sua energia e luz. Ela e Fernando viveram essa estranha simbiose, essa história angustiante que acabou dando o tom dessa edição. Iniciamos um ciclo com Fernando e Amanda e aqui o encerramos da mesma maneira.

 

Aviso aos amigos do De Cara Pra Lua:

No próximo dia 12/04 estreia o Superstar e estaremos aqui comentando o programa. Assim como estaremos falando um pouco de tudo, falando sobre a vida, política, futebol e os demais realities deste ano. Esperamos contar com a presença de vocês nesse espaço. Beijos a todos!

RegrasOuro2

1- Na entrevista investiguem se o candidato é amigo da Clara e/ou da Vanessa, se fez parte do fandom, de preferência escolham quem sequer sabe quem são Clara e Vanessa. Façam uma devassa na vida do candidato para verificar a informação dada. Pois, três edições seguidas aguentando as Clanessas não tem público que tenha estômago.

2- Mantenham os perfis escolhidos este ano, mas cuidado com vídeos que são distribuídos aos participantes antes do programa porque eles chegam na casa e só fazem desgraça com as informações recebidas.

3- Façam uso sábio do Big Fone. Foram tantas as situações em que uma jogada bem estruturada poderia ter evitado um desastre no jogo e o Big Fone lá muuuudo.

4- Não escolham o bizarro achando que ele se transformará no bobo da corte, pois ele pode acabar sendo a única opção decente do público para campeão, mesmo com toda bizarrice.

5- Não dê confiança a nenhum participante a ponto dela te chamar de Amorinho durante o programa. Pega maaaaal!

6- O jogo é para gente grande. Deixem as filhinhas da mamãe em casa senão elas desistem faltando apenas um mês para acabar o show e nos obrigam a assistir uma última semana sonolenta com apenas três participantes no jogo.

7- Continuem apostando na melhor idade, afinal de contas panela velha é que faz comida boa

8- Participante bem humorado não é necessariamente aquele que vai roubar o pão. Ser brincalhão é uma coisa, agora ser moleque é outra beeeeeem diferente.

9- A gente sabe que a crise econômica está chegando, mas não precisa exagerar e deixar o povo com fome no Tá com Nada. Precisando de ajuda a gente organiza uma vaquinha.

10- Traz de volta os esporros do Boninho, pois os áudios vazados são diversão garantida para a internet.

Eterno01

Chegou o momento de a gente tecer nossas considerações finais sobre mais esta edição do Big Brother. Uma edição anunciada como a melhor de todos os tempos acaba num anticlímax imenso. Eu só não direi pior do que o BBB14 porque poucas edições serão tão ruins quanto a edição passada. Pelo menos este ano nós tivemos um elenco decente. Que se perdeu ao longo do caminho, é verdade, mas foi um dos melhores elencos das últimas edições. O BBB15 trouxe um pouco de cultura, foi uma edição que negou a fama do público que gosta do programa ser ignorante. Ouvimos Bach, acompanhamos as discussões intermináveis de Marco e Adrilles e após a eliminação do Marco, de Adrilles com Mariza. Tivemos a melhor playlist da história do BBB, sentimos ódio e amor na mesma medida.

Eterno02

O que deu errado, então? Por que após um início frenético a gente termina nesse clima melancólico? Pois ninguém está muito satisfeito com os finalistas. Nem mesmo a torcida da Amanda ou do Fernando já que eles tanto manipularam que conseguiram para si pelo menos o segundo e terceiro lugar, nem mesmo essas torcidas têm muito que comemorar. A torcida do Fernando se esconde nas redes sociais morta de vergonha de ainda ter coragem de defender suas atitudes. A partir de um determinado momento Fernando passou a fazer o jogo interno e não poupou esforços, jogos de palavras e muita lábia da pior espécie, se esgueirando para não ir ao paredão.

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Amanda hoje se encontra a mercê dessa relação doentia que eles desenvolveram e eu duvido que mesmo quem goste da morena esteja aplaudindo suas atitudes na casa. Tanto falaram de Aline, que Amanda ao se relacionar com Fernando mostrou-se tão ou mais sem personalidade que sua adversária. Aline pelo menos em muitos momentos se colocou contra o Fernando, argumentou com ele sobre o jogo e até mesmo sobre suas atitudes em relação à Amanda. A primeira briga do casal foi por conta disso. Amanda nada questiona, virou marionete nas mãos do Fernando, aceita tudo, humilhação, desprezo, declarações de amor arrancadas a fórceps. Amanda anulou-se completamente.

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A torcida do Adrilles briga esta semana para manter na casa o nosso querido poeta que não soube se defender nesse jogo. Pelo menos podemos dizer que Adrilles foi coerente e que não houve nenhuma segunda intenção em seu voto no Cezar no paredão que eliminou Mariza. Adrilles é desses caras puristas, que morre para defender sua ideologia, que não arreda pé de seus ideais. Acredito que o voto no Cezar nessas duas últimas semanas teve esse componente de se manter fiel aos seus princípios. Princípios esses que o colocaram em rota de colisão com o público que tanto desejou ver Fernando nesse paredão. Se Amanda e Fernando formassem um casal bonito e admirado todos aqui fora estariam aplaudindo Adrilles por defendê-los no jogo. Mas, Amanda e Fernando são rejeitados por grande parte da internet.

Eterno05

Adrilles não tinha como saber disso, mas tinha como analisar melhor os sinais que o jogo lhe forneceu. A saída em fila indiana do Grupão, a ideia de que um homem que promete casamento a uma mulher e depois fica com outra talvez não fosse bem visto aqui fora. Coisas que Mariza intuiu e que Adrilles negou e se recusou a olhar o jogo através dos olhos sagazes de sua amiga. Adrilles olhou o jogo com olhos de poeta, apostando no amor romântico, idealizando a relação de Amanda e Fernando como algo que ele gostaria de ter. Idealizando Amanda, colocou-a no lugar de musa, se recusando a votar nela, afirmando que primeiro votaria em Fernando. Idealizando o amor. Do seu ponto de vista como o público poderia preferir uma professora de meia idade e um poeta vesgo e eloquente em detrimento de um casal formado por pessoas jovens e bonitas?

Eterno06

Ele não conseguiu perceber o amor imenso que suas discussões literárias e filosóficas poderiam despertar. Adrilles foi prisioneiro do estereótipo de que casal faz fama e é querido no Big Brother e nessa noção ele vai morrer agarrado até que a eliminação abra seus olhos para tudo aquilo que o público aqui fora vem enxergando e tentando fazê-lo entender através de eliminações consecutivas. Adrilles também tem o componente de uma carência imensa, se vê mergulhado em sua necessidade de ter alguém como objeto de desejo e afeto, uma figura feminina idealizada para alimentar sua alma de poesia. Por mais estranho que possa parecer, Amanda acabou cumprindo esse papel. E Adrilles tornou-se o fiel escudeiro do casal. Abriu mão de ser protagonista e abraçou o papel de coadjuvante. Não quis ser Dom Quixote e brigar contra moinhos de ventos, decidiu ser um eterno Sancho Pança.

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