Azar no jogo e azar no amor

Amanda

Eu prometi que a gente teria algumas conversas de mulher para mulher após o BBB15. E vamos começar, usando como mote os personagens dessa ultima temporada do Big Brother. Eu acho interessante a tentativa da Rede Globo de tentar transformar a história que Amanda viveu com Fernando num conto de fadas. Quando de fato foi um pesadelo. Daqueles que a gente usa para aprender alguma coisa com as experiências alheias. Claro que esse nunca será o melhor aprendizado, são as nossas experiências que na verdade nos ensinam grandes lições, mas serve para a gente refletir o que significa o amor. Eu acho que essa palavra foi muito banalizada nesta última edição. Amanda correu atrás de um capricho.

Será que valeu a pena? Será que é esse o caminho para a gente encontrar o amor? Se humilhar por um homem, imprensá-lo na parede tocando em suas partes intimas para sexualmente provocá-lo? Ficando praticamente nua numa oferta sem reservas? Será que assim a gente encontraria o amor aqui fora? Acredito que não. Porque faltou uma coisa muito importante no relacionamento que Amanda e Fernando estabeleceram no confinamento, o respeito. Faltou também admiração mútua, confiança no outro, sinceridade. Quando alguém mente para conquistar o outro a única coisa que vai colher lá na frente é uma raiva profunda. Ninguém gosta de ser enganado. Fica a conquista pela conquista, a todo custo, por qualquer preço. E isso não traz felicidade. Nem frutos duradouros.

Eu não acho que seja condenável uma pessoa comprometida se interessar por outra. Acontece. Mas quando isso ocorre o relacionamento anterior já está fracassado. Lutar por alguém que não sabe se te quer é uma grande furada. Não é nenhum gesto grandioso ou nenhum ato de coragem. Tampouco é algo libertário. Pauline Roland, uma feminista do século XIX disse que “a mulher, tanto quanto o homem, deveria ser criada como um ser livre, racional, pertencendo a si mesma, independente”. Rastejar por um homem não é ser independente, pelo contrário, é vincular sua felicidade ao outro, se sujeitando a toda sorte de humilhação. Ninguém vai conseguir ser amada de fato agindo dessa maneira porque jamais será respeitada como deveria.

Assim como a nudez. As mulheres que se desnudaram para estabelecer o seu domínio sobre seu corpo o fizeram justamente por esse motivo, para dizer que seu corpo lhes pertencia. Leila Diniz quando usou biquíni mostrando sua barriga de grávida foi para mostrar ao mundo que gravidez era um momento mágico na vida da mulher e, portanto, não havia nada a esconder num corpo em gestação. Se nosso corpo nos pertence poderíamos até dizer que Amanda faz com o corpo dela o que ela desejar. Sem dúvida é verdade. Mas existe algo chamado autoestima. Dignidade. O que vemos hoje é um casal que fez sofrer tanta gente para chegar aqui fora e sequer conseguirem olhar um na cara do outro. Valeu à pena? Não creio. Hipoteticamente considerando que Amanda realmente se apaixonou pelo Fernando, o que ela ganhou com tanto empenho? Apenas experiência, daquelas que a gente pode evitar de cara, pois já sabe que é uma roubada. Amanda não conseguiu ganhar o amor de Fernando e acabou sem o um milhão e meio de reais. Azar no jogo e no amor? Não, falta de autoestima. Como diria o filósofo Naldo, autoestima! Autoestima!

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