A derrota do Twitter

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O BBB15 acabou trazendo nas palavras de Pedro Bial a promessa de mais uma edição em 2016. Apesar dos pesares a gente fica feliz, afinal de contas essa é uma diversão garantida, mesmo a gente reclamando incessantemente todos os anos. E, pensando nisso, me lembrei que antes a gente custava a gostar dos participantes, abríamos as edições odiando cada um deles para aos poucos irmos nos apaixonando e defendendo esta ou aquela atitude. Hoje, mesmo antes de o programa começar os fandons já estão montados em cima de simpatias e ilusões, frutos de fotos e divulgação dos perfis dos candidatos. Tudo isso começa nas redes sociais, principalmente no Twitter. E, talvez, vejam bem, talvez, esse seja um dos elementos que vem minando o jogo das últimas edições, principalmente das duas últimas. No BBB14 já tinha fã clube de casal mesmo antes da porta da casa se abrir e essa simpatia carimbada sem conhecimento acabou pesando no jogo.

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Este ano, Amanda já entra com torcida emprestada da Clara e mesmo não sendo determinante (Obrigada Senhor!) esse fato em alguns momentos envolveu o BBB15 numa nuvem de fumaça. Dentro e fora da casa. Dentro, porque Amanda já chegou dizendo que tinha grande torcida, tentou intimidar Fernando no terceiro dia de programa ameaçando com a torcida da Clara para que ele ficasse com ela. Isso criou um mito entre os jogadores de que Amanda era forte, mito esse reforçado com a saída da Aline. No jogo eles não tinham como saber que a diferença havia sido tão pequena. Fora do jogo, essa cortina de fumaça faz crescer a torcida da Amanda com muitos se fiando nessa aposta ancorada na certeza de que Clara e suas fies seguidoras levariam, mais uma vez, alguém rejeitado ao cheque de um milhão e meio de reais. Porque Amanda foi rejeitada. E muito.

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Quando eu falava esse tipo de coisas lá no Twitter muitos vinham me questionar dizendo que a torcida da Amanda era imensa e que ela era amada por sua maneira de ser. Torcida essa que não conseguiu em quatro lideranças ganhar sequer um “Você no Controle” que beneficiaria a líder, ela perdeu todas, inclusive uma de imunidade. Além de não conseguirem segurar nenhum aliado da morena no jogo. Esses eram indicativos que muita gente se recusou a enxergar. Nem precisava recorrer ao sofá, bastava dar uma voltinha pelos comentários nos sites como UOL, Terra e até mesmo no perfil oficial do BBB no Facebook para se ter uma ideia da rejeição da Amanda e da crescente popularidade do Cezar. Porque Cezar acabou virando um fenômeno.

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Assim como a população decide nas eleições para nossos representantes votar em figuras bizarras como o Tiririca, num misto de identificação das grandes massas e repúdio à classe política, nesta edição do Big Brother, Cezar virou símbolo e campeão do povão. E por ter conquistado o coração de tanta gente ele merece o respeito da mídia e da Rede Globo, agir de outra maneira é falta de profissionalismo, de postura, é amadorismo. Afinal de contas, Cezar hoje é um produto da emissora, contribuiu para a visibilidade desta temporada do BBB e fará daqui para frente parte da história do programa e da galeria de seus campeões. Cezar é o campeão do Big Brother Brasil que enfrentou o maior número de paredões consecutivos, sendo assim, foi o mais aferido ao contrário da Amanda que só ficou em segundo lugar porque de verdade só enfrentou um paredão acirrado, triplo, que dividiu os votos de Mariza e Aline. Por menor que tenha sido o percentual de Mariza naquele paredão ele fez falta nos três porcento de diferença que garantiriam a vitória da Aline. Derrotar o Fernando foi fácil, foi chutar cachorro morto e pelo baixo índice que Amanda conquistou na Final, apenas trinta e cinco porcento, tudo leva a crer que ela não sobreviveria numa paredão contra Adrilles ou Mariza. Amanda ficou apenas com o segundo lugar e a gente nem sabe se ela ainda estará na mídia daqui a alguns anos. Afinal, onde estão os participantes que ficaram em segundo lugar em outras edições? Com raríssimas exceções, poucos na internet ainda lembram. E no grande público eles foram relegados ao total esquecimento.

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Não bastou ao Cezar ser cowboy, apesar disso ter pesado imensamente, ele aliou a esse tipo regional inteligência para lidar com os egos exacerbados dos demais jogadores. Porque, se afirmam que ele se auto isolou, que ele criou uma situação de rejeitado, a gente só pode achar que ele foi mais inteligente do que os demais já que quase todos caíram em sua armadilha e contribuíram para que ele se tornasse o campeão dessa edição. Além disso, Cezar levou para o jogo um discurso de retidão e humildade que ele soube praticar muito bem. Talvez porque ele seja mesmo honesto e humilde, pelo menos sua história de família do campo que luta para sobreviver tinha seu fundo de verdade. Apesar de eu não achar que eles eram miseráveis, mas aquele pai com o rosto marcado pelo trabalho árduo não permite que se diga que a história do Cezar não é verdadeira.

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Cezar teve no jogo uma estrutura emocional que poucos jogadores demonstraram em quinze edições do Big Brother Brasil. Passar dois meses no Tá Com Nada sem reclamar, sem ficar mal humorado, sem perder a linha um momento sequer, por si só já demonstra que Cezar estava preparado para enfrentar o confinamento. E quem pode julgá-lo por isso? Quem pode julgá-lo por não beber bebida alcoólica para não perder o rumo? Isso também é estratégia, aliás, isso é que é uma estratégia. Aquele negócio de ficar contanto votos, arrebanhando aliados, puxando tapete do outro, esse é um jogo para alguns setores da internet que se espelham nos Big Brothers de outros países para advogar esse tipo de pensamento no jogo. E que estão no Twitter acreditando que sua visão é a mais inteligente e única adequada ao BBB. Quando na verdade num jogo de convivência o que o público julga é o caráter dos jogadores. Acertadamente ou não, mas nas nuances do jogo o público tenta entender cada participante, julga sua atitudes, intui seu caráter e debate na defesa ou crítica ao jogador.

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Sempre são muitas as visões sobre o jogo do BBB, mas nesta temporada foi forte a sensação de que havia o BBB do grande público e o BBB do Twitter, felizmente a escolha dos candidatos e principalmente tipos como Mariza, Adrilles e Cezar permitiu que o grande público caísse de cabeça no jogo e enterrasse todas as apostas do Twitter. The sofá is back! Mas muitas vezes a gente percebe que a produção do BBB flerta com essa parcela da Twitter, acredita em sua pretensa modernidade e quando o faz recheia o BBB com perfis vazios da galera das baladas. Assim como são vazias as críticas e o humor como é tratado o programa. Esta edição do BBB15 deixou claro para a produção do BBB que não é isso que o grande público quer, que essa visão restrita de jogadores bonitinhos e ordinários não ganha a briga pela audiência, que textos de três linhas e muitas fotos não provoca o debate e envolve as torcidas. Como disse a galera, o sofá foi forte este ano e deu a dica daquilo que ele espera na próxima edição. Resta saber se seremos escutados ou se os modismos de ocasião continuarão a ditar as regras do jogo.

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1262 comments
Taís - A imperatriz
Taís - A imperatriz

Meus amores vou dormir pq hoje eu trabalho né kkkkkkkkkkkkkk bons sonhos pra vcs. Beijão 

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