Vermelho 17

Tinha tudo para dar certo, afinal de contas, o Brasil pegou fogo em outubro de 2018 com as Eleições Presidenciais. Pega uma turma de conservadores, com falas bem clichês e coloca na casa junto com uma turma de pessoas engajadas em lutas sociais, particularmente contra o racismo e machismo. Mistura tudo e teremos muitos embates, barracos e discussões sem fim por três meses alavancando o sucesso do Big Brother Brasil. Mas, não é bem isso que está acontecendo no BBB19.

Primeiro, as discussões do processo eleitoral nada tinham de divertidas, pelo contrário, foram desgastantes demais, criaram cizânias em amizades de longas datas e entre membros da mesma família. O país se dividiu numa polarização que fez mal à sociedade, seja o cidadão de direita ou esquerda, centro, acima ou abaixo. Saímos do segundo turno absolutamente exaustos. Acredito que mesmo os vitoriosos queriam um refresco, queriam ter algo em comum com aquele amigo que curte o Big Brother e torcer junto pelas mesmas pessoas, reatar laços perdidos. Eu, particularmente, clamei por um Big Brother de alienação total. A produção do BBB deu uma tremenda bola fora quando apostou nessa polarização.

Segundo, o perfil do elenco não é perfil de embate. Aos militantes parece que foi sugerido serem elegantes e leves. Aos conservadores, parece que nada foi sugerido, talvez contassem apenas com suas opiniões sobre o mundo para gerar conflito. Não deu liga. O lado da Gaiola precisava de alguém do outro lado com capacidade argumentativa para fazer contraponto e confronto com suas questões. Isso inexiste, a Villamix tem pouca ideologia e excesso de alienação. Além de não ter embates não conseguimos ver afetos crescendo na convivência. Nem mesmo da duplinha Hari e Paula. Não vemos esse afeto porque não as vemos em situação de conflito. Não as vemos dando colo uma para outra, trocando confidências, se dando carinho. Elas se bastam, próximas, mas não unidas. Se esse enredo será o suficiente para segurar o interesse no programa, eu sinceramente tenho muitas dúvidas.

Feita a bobagem, diante da insatisfação geral nas redes sociais, o que faz a produção? Aposta numa dinâmica que os tirem do marasmo? Não. Culpa os ativistas do elenco pelo fracasso de sua própria escolha. Faz chacota da militância, ser alinha com um lado da discussão da internet esquecendo que muitos que curtem o BBB têm uma visão diferente. Quando a Rede Globo coloca cartazes discriminando um dos grupos, a emissora abraça um lado. Então, diante dessa escolha, num paredão acirrado, com uma diferença de 0,48%, fica a dúvida se a vitória do paredão foi uma escolha do público ou da direção do programa. Tudo fica ainda mais confuso quando na última prova do Líder o apresentador antecipou o resultado da prova antes dela ser finalizada.

Se foi uma aposta da direção, apostaram no lado que traria menos tensão ao jogo. E não estou fazendo uma defesa da Hana. Apenas estou pontuando que era em torno dela que geravam todas as tensões e discussões até o momento. Ninguém mais trouxe nenhuma narrativa para esta temporada. Harianny tem até uns insights interessantes sobre o jogo. Na verdade, é ela que ajeita o rumo da prosa da Paula. Sem Hari como gêmea siamesa, Paula já teria falado e feito muita besteira na casa. Mas, Hari rendeu pouco até aqui. E não creio que ela vá mudar muito sua maneira de se movimentar pelo jogo. Mesmo com a produção criando o factoide de um romance com Diego. Será sempre aquela menina sentada no jardim ou na cama, quieta e introvertida. Segundo Hari, ela é uma pessoa de personalidade extrovertida e contagiante. Hari, nossa Mirla sapeca, levada da breca.

Nem vilão de responsa a gente tem nesta edição. Diego e Gustavo são caras bonitões, candidatos a protagonistas dos sonhos molhados das menininhas da internet. Podiam até ser conservadores, acho que isso não atrapalharia seu jogo. Se tivessem encarnado o macho alfa. No entanto, os dois se revelaram dois fosquinhas, meninos fofoqueiros e mais interessados em atacar uma menina jovem e bonita do que em seduzir suas também belas e jovens colegas de confinamento. Então, não deu liga. Se reduziram àqueles tios chatos que ficam na ceia de Natal dizendo como mulher tem que se vestir, falar ou se comportar em sociedade.

Chegamos nesse impasse. Sem vilões com coragem de ir para o embate, alguns cobram da Gaiola um afronte para uma polêmica que eles sequer sabem que existe. A Villamix tem duas caras, uma para articular os votos e outra para abraçar os membros da Gaiola como se amigos fossem. As únicas divergências apresentadas até aqui, foram com relação às falas inadequadas de alguns participantes. Mas, convenhamos, se a Gaiola já está sendo criticada sendo didática ao esclarecer o que é racismo institucional, imagina se eles partem para porradaria em cima dos racistas institucionais da casa.

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