Mês: Fevereiro 2018

Ontem foi literalmente uma festa estranha com gente esquisita. Teve beijo entre Patrícia e Kaysar, o que está provocando um verdadeiro CSI BBB nas redes sociais, teve briga de Ayrton com Ana Clara, teve a ficada de Paula e Breno, embriaguez do Lucas, Jessica e Diego, teve cabaninha de Wagner e Gleici e teve Caruso e Viegas dormindo na sala. Teve tudo para quase todos os gostos.

Kaysar e Patrícia estão com uma brincadeira de fingir ser um casal. Acho que Patrícia se empolgou, Kaysar se enrolou e tudo leva a crer que eles se pegaram debaixo do edredom. Algumas pessoas falaram: Susan eles estavam fazendo cena. E eu respondo: cena pra quem cara pálida? Porque as únicas pessoas no quarto de luz apagada eram Caruso tentando dormir e Gleici e Wagner se pegando no outro edredom. Mas, qual o problema de Kaysar e Patrícia se pegarem? A princípio nenhum.  A questão é se eles vão levar isso adiante ou se eles vão se fazer de mortos e seguir amigos no jogo. E como cada um desses caminhos pode influenciar na trajetória deles. Kaysar é um dos participantes mais queridos do programa e Patrícia é das participantes com mais rejeição.

Outra grande polêmica da madrugada é o triângulo amoroso formado por Clara, Paula e Breno. Eu vou repetir, eles podem fazer o que quiserem ali dentro, mas tudo que fizerem será julgado pelo público. Clara se envolveu com Breno na primeira semana do jogo quando furou o olho da Jaqueline. Clara era amiga da Jaque? Não, elas nem se conheciam direito e o próprio Breno vivia dizendo pelos cantos que Jaque não fazia seu tipo. Clara aproveitou a deixa, alimentou esse assunto e eles acabaram se beijando na ante sala do banheiro. Logo em seguida, foi a vez da Jaque dar o troco e roubar Breno da Clara. Até aí tudo bem, foi uma espécie de chumbo trocado que começou com investida da Clara no boy da coleguinha. Mas, volto a repetir, Jaque e Clara não eram amigas.

Enquanto esse drama se desenvolvia, Paula fazia jogo de sedução em cima do Wagner e Caruso. Enquanto em Gotham City tínhamos um triangulo amoroso formado por Breno, Clara e Jaque. Em Metropolis tínhamos outro formado por Paula, Wagner e Caruso. Jaque é eliminada. Wagner começa a debandar para o lado da Gleici, seja por qual motivo for, mas ele se debandou e Paula perdeu o interesse por Caruso, a conquista foi fácil, Caruso estava nas mãos dela e, acredito, que ele era uma espécie de coringa para fazer ciúmes no Wagner. De qualquer maneira, Caruso é um cara complicado e não creio que fizesse o tipo de homem que Paula gosta.

Com a saída da Jaqueline, Breno, que foi para o Big Brother fazer coleção de bocas a serem beijadas, escolheu um novo alvo, que foi a Paula. E aí, nós temos um contexto totalmente diferente daquele que envolvia Jaque e Clara. Breno é propriedade da Clara? Não. É namorado da Clara? Não. Fez promessa a Clara? Também não. Mas cozinha Clara em banho Maria talvez porque ache bacana ser tão disputado no jogo. Ou como uma maneira de manter vivo para o publico que está entregando o que prometeu ao boss, ou seja, beijar muitas bocas.

Breno é uma espécie de cafajeste gente boa, mas nem por isso menos cafajeste, que acaba sendo perdoado em cima da eterna justificativa: ele é solteiro. Só falta completar: ele é homem. Como se essas posições na vida, ser solteiro, fossem desculpas para não se ter coração, não ter empatia, passar por cima dos sentimentos alheios, desrespeitar as pessoas. Breno prometeu a Clara que iria casar com ela? Não. Pelo contrário. Mas Clara se encantou pelo cara, pegou numa paixonite de menina que mesmo que tenha uma boa dose de fantasia, ela existe. Sentimentos são coisas sobre os quais a gente não tem muito controle, principalmente no confinamento.

Ao contrario de tesão e de desejo. Sobre tesão e desejo a gente tem controle sim. E é justamente aí que eu critico Paula. Paula se diz amiga da Clara e, no entanto, faz jogo de sedução para cima do cara que a dita amiga é super a fim no programa. Inclusive Paula já verbalizou para Ana Clara que não trocaria a amiga por alguns beijos na boca. Foi, inclusive, diante dessa promessa, que Ana Clara declara que Paula viria em primeiro lugar em sua preferência no jogo. Paula tem obrigação de abrir mão desse tesão por conta da Clara? Não.

Mas se Paula é uma pessoa bacana, cheia de discursos sobre coerência, respeito pelo outro e fidelidade aos amigos, por que ela se colocou na situação de viver outro triângulo sendo que desta vez um dos vértices é alguém que ela declara amiga dentro do jogo? Por que? Por que Paula faz esse jogo? Que vai a coerência de seu discurso e revela uma contradição não sabemos como ela vai resolver. Hoje as duas estão de boa, trocando carinhos, mas até quando essa situação se manterá tão leve e descontraída? Paula tem uma vaidade imensa e essa vaidade pode ser seu ponto fraco nesse jogo. E se ela não é amiga da Clara a ponto de pouco se importar se Clara vai ficar chateada ou não, não se intitule amiga, não troque confidências, não dê abertura para Clara falar do Breno. Falta à Paula empatia. No fundo, o sonho de consumo da Paula era ser menina Power Ranger.

E a ultima grande polêmica da noite passada foi a briga de Clara com Ayrton. Ayrton achou que Clara havia se excedido e decidiu tirar a filha da festa. Clara não é uma criança de dez anos, sequer é mais uma adolescente. Clara é uma jovem mulher de vinte anos de idade e, parece, com problemas de conexão com o pai. Ayrton poderia ter dado o mesmo toque tratando Clara como a mulher adulta que ela é. Principalmente porque ela estava numa festa na frente dos amigos e dentro de um programa de TV.

Ayrton não tem essa medida. Ele como pai se acha acima do bem e do mal. Alguns me disseram: Mas pai e mãe são assim mesmo. Não sei se concordo. Não sei se o fato de ser pai dá ao Ayrton ou a qualquer outra pessoa o direito de desrespeitar o filho ou filha, de ser autoritário. Pai não é feito para mandar e sim para orientar. Ele poderia ter orientado Clara e não impor sua vontade. Nós preparamos os filhos para o mundo. Se Ana Clara não está preparada para enfrentar o mundo a culpa é do Ayrton. Ela não estava num baile funk, estava dentro de um estúdio de TV, cercada de pessoas conhecidas e igualmente monitoradas.

Ah Susan, mas Ayrton é assim! O fato dele ser o que mostra no jogo não quer dizer que ele esteja correto, nem mesmo em suas atitudes como pai. O mote da família no BBB esta sendo muito mais proveitoso do que esperávamos. Serão julgados como família e indivíduos. Ana Clara tem isso muito claro tanto é que nos momentos de tensão maior ela não responde ao pai. O que fica parecendo é que existe muita carne embaixo desse angu tanto que ela disse que mais uma vez ele estava atrapalhando um momento na vida dela. Na primeira semana, os excessos de carinho de Ayrton com a filha colocam em dúvida os códigos de moral que norteiam a vida dele e fico aqui pensando no direito que ele tem de se indignar com Ana Clara pelo fato dela se embebedar. Sendo assim, manter Ayrton atrelado à Ana Clara nos colocará o risco de perder, em função de questões menores, uma das melhores jogadoras que temos visto em reality show nos últimos anos. Clara foi a responsável única e exclusiva em reverter a rejeição que a Família Lima ganhou na primeira semana do BBB18.

Entre Ayrton e Ana Clara é bastante óbvio que ela á muito mais inteligente e com muito mais capacidade de transitar pelo jogo, de sacar as pessoas. Ayrton é cabeça dura, gosta de mostrar para os adversários o quanto é inteligente, o quanto entende do jogo do BBB. Mas Ayrton não entende da vida. O primeiro indício desse fato foi ter concordado em colocar a família toda a serviço de um sonho que era dele. Ayrton expôs a família e todas as suas mazelas. Se a exposição individual já é difícil, imagina num grupo familiar? Desde que ganhou a liderança Ayrton tem se comportado como um pavão, se achando o dono da bola. Ontem, acabou sobrando para Ana Clara. Como já falamos anteriormente, já passou da hora da Rede Globo deixar o publico escolher quem ele quer no jogo.

Uma das coisas mais difíceis em reality talvez seja separar fantasia da realidade. Existe no jogo quem de fato são os jogadores, quem eles acham que estão mostrando e como nós os percebemos aqui fora. Leve para dentro do jogo alguém com uma realidade totalmente desconhecida, uma história de vida não contada, uma tragédia anunciada e teremos um prato cheio para toda sorte de fantasias e questionamentos. O problema é que o público escolhe que realidade ele vai abraçar e qual ele vai desmerecer, porque histórias de vida para contar, simples ou não, todos nós temos.

Aqui em casa a gente costuma falar que o silêncio do Kaysar em relação a sua história de vida é o elemento mais potente em seu jogo. É um silêncio que paira sobre sua permanência no Big Brother. Silêncio esse que permitiu a torcida montar aqui fora toda uma história de privações e dificuldades que o Kaysar sequer levou para o jogo. O que nós sabemos é que Kaysar saiu da Síria quando começaram os conflitos em seu país e que vem vagando pelo mundo nesses últimos 7 anos. Mas como Kaysar saiu da Síria? De carro? De ônibus? De avião? Ele foi para a Ucrânia tentar a vida, mas exatamente o que ele fazia lá? Porque Kaysar não conta, não conta nada da família, não conta nada das experiências dele em outros países, não fala da infância, da juventude, de como é a irmã, dos amigos que lá deixou e que fez na Europa e no Brasil, como é o pai e a mãe. Nada, temos um perfeito papel em branco. E esse papel em branco abre margem a toda sorte de especulação.

O problema é que como a Síria é um país em guerra, criou-se uma espécie de tabu em torno desses questionamentos. Como se ao questionar Kaysar a gente estivesse questionando a zona de conflito no Oriente Médio. Zona essa de conflito que a gente sequer compreende muito bem. Assim, como não compreendemos muito bem as realidades duras em nosso país. Questionar o nível de veracidade da história e sofrimento do Kaysar é uma heresia, mas questionar a história de vida de uma Gleici, por exemplo, é apenas colocá-la em seu devido lugar. Quando na verdade, ambos têm histórias tristes de vida. Pelo que nós pesquisamos existe em Aleppo a zona leste da cidade extremamente castigada e a zona oeste mais preservada dos efeitos da guerra. Se alguém tiver alguma outra informação, traga para nossa discussão.

Assim como na realidade do Brasil, também existem situações equivalentes em termos de sofrimento, violência, falta de saneamento básico, desemprego e falta de segurança pública. Se fizermos uma raio-X de uma favela do Alemão, por exemplo, você estará apresentando o pior do Rio de Janeiro. Se apresentarmos uma foto de Ipanema, estaremos mostrando o melhor. Com tudo isso não queremos dizer que os pais do Kaysar não estão passando necessidade, mas também não sabemos ainda a real situação em que eles se encontram. Isso é importante para o jogo? Não, na verdade não. Mas, como todo o marketing do Kaysar está sendo feito em cima da situação familiar, acaba gerando sim uma polêmica em torno desse assunto.

Kaysar precisa contar a história dele na casa. Não acho que seria vitimismo, seria um enriquecimento para nós que estamos assistindo. Porque compreender situações tão distantes só tornam mais ricas a nossa percepção da vida. A história do Kaysar pode passar por ele ter nascido em berço de ouros, ter uma família com muitas posses, estar bem de vida, nada disso vai alterar o julgamento do jogador que está dentro do Big Brother. Portanto não interessa a vida do jogador aqui fora, mas também não podemos transformar essa história de vida na justificativa para darmos o prêmio ao Kaysar. Talvez a Rede Globo pudesse colocar seu setor de jornalismo para trabalhar e apurar essa história e limpar de vez esse caminho. Porque se a história dos pais do Kaysar for muito triste de verdade isso também não vai alterar o resultado do jogo já que essa história de vida intuída está pesando atualmente neste resultado.

Kaysar é uma boa pessoa? Parece que sim. No jogo ele é amigo, companheiro, divertido, preocupado com as pessoas. Mas também é um cara que não se posiciona, que conversa com uma garrafa e que escuta toda sorte de bobagens por parte de Diego e Patricia e continua os escolhendo como melhores amigos. Ou seja, tem pontos bons e pontos ruins. Assim como muitos outros jogadores que disputam esse prêmio. Neste momento o silêncio de Kaysar e o silêncio da Rede Globo gritam em nossos ouvidos: precisamos saber dessa história!

Ana Paula foi eliminada. Isso por si só deveria ter sido um imenso alerta ao povo da casa, principalmente a Sétima Aliança, de que o jogo do trio formado por Diego, Patrícia e Ana Paula não estava agradando ao público. Apostamos muito nisso, familiares dos jogadores apostaram nisso, torcidas apostaram nisso, acredito que até a produção do programa apostava nisso, mas como o confinamento leva a conclusões que jamais entenderemos, após o choque inicial a Sétima Aliança volta a se reagrupar e traçar estratégias.

Diego sofreu muito o impacto da eliminação de sua parceira de jogo. Acredito que ele chegou sim a cogitar se afastar do grupão, fazer um jogo solo com Patrícia e seguir adiante. Mas, talvez por algum mecanismo de defesa, pois admitir que Ana Paula tenha saído por conta do jogo apresentado seria admitir a derrota do próprio jogo, Diego voltou ao velho esquema de traçar estratégias junto com Wagner, Caruso, Viegas, Nayara e Patrícia.

Simplificaram a análise da saída da Ana Paula ao fato de duas torcidas terem se juntado para derrotá-la na votação do público. Colocaram na conta do Mahmoud a indicação da bruxinha ao paredão, imaginaram altas conspirações e estratégias dos demais jogadores fora do grupão, tudo sob a batuta do Mahmoud, inimigo eterno da Ana Paula. E voltaram ao jogo com toda carga, mentindo, tramando, debochando, diminuindo o jogo adversário, colocando em xeque o caráter de seus oponentes. O que antes era feito por Ana Paula e Patrícia, agora temos Diego adotando essa postura. E é aí que reside todo o equivoco do jogo de Diego e Patrícia. O problema não é combinar votos, mas a maneira maldosa, fofoqueira, fantasiosa e mentirosa que eles desenvolvem essa combinação.  Ao perderem Ana Paula, a Sétima Aliança fica capenga de um componente, portanto Diego e Patrícia foram à caça e o alvo escolhido foi Kaysar.

Kaysar vinha fazendo um jogo quase que perfeito. Mostrou uma personalidade extrovertida, chegou disposto a alegrar a casa e distribuir pequenas pérolas de sabedoria. “O importante é ser feliz”, “ devemos perdoar e não guardar mágoas”, “O Brasil é um paraíso”, e por aí seguiam os textos de auto ajuda que tanto encantaram quem assiste o BBB18. A tal ponto que o perfil oficial do programa lançou no Twitter uma publicação com a foto do Kaysar e usando suas opiniões com o título de “Dica de Sabedoria do Dia” ou algo parecido com isso. O espírito era esse, enaltecer as lições trazidas pelo belo sírio para mostrar o quão sábio ele era.

Kaysar era uma espécie de unanimidade. Era quase uma heresia não gostar do Kaysar. Praticamente todas as torcidas trazem o símbolo de seu favorito acompanhado pelo passarinho que é o símbolo da torcida do Kaysar. Dentro da casa, Kaysar não atacava ninguém, era amigo de todos, servia de conselheiro para adversários das mais diferentes torcidas e só votava apenas em um jogador, Viegas. Se tivesse se mantido assim, Kaysar estaria num bom caminho de jogo solo. Não acho que Kaysar seja uma mistura de Cezar Lima e Kleber Bambam, mas acredito que foi buscar na boneca Maria Eugenia uma inspiração para a garrafa com papagaio com quem ele conversa. Até no confessionário no momento da votação, Kaysar leva sua fiel companheira, a garrafa. Não acho que ele lembre o Cezar porque Kaysar interage na casa, estabeleceu laços de afeto com Diego, Patrícia e, principalmente, com Ana Paula. Kaysar não busca o isolamento, mas sim a vida em grupo. Porque é justamente no coletivo onde ele mais brilha.

A saída da Ana Paula foi um momento de inversão para Kaysar. Comentava com Roberto o quanto a saída dela poderia ser benéfica ao jogo do sírio quando Roberto me alertou: não sei, talvez o benefício não seja tanto. Talvez perder Ana Paula possa trazer uma mágoa tão grande que o faça perder o rumo nesse tipo de jogo que ele vem apresentando até o momento. E, se observarmos Kaysar atentamente, seu semblante mudou, perdeu um pouco da leveza que era sua marca registrada. Kaysar acordou para o jogo e isso é um acontecimento importante. Acordar para o jogo não é um possível erro do Kaysar. Tampouco a escolha de seus alvos, essa escolha na verdade é pouco importante. Desde que ele não escolha Mahmoud, o restante da casa está valendo.

O que vai determinar a história do Kaysar a partir de agora é como ele vai lidar com a aliança que ele decidiu abraçar. Porque o jogo da Patrícia e Diego, os responsáveis por cooptar Kaysar, é um jogo que mistura mentiras, maledicências, dissimulação, ou seja, coisas ruins que um jogador de BBB pode apresentar ao público. Escolher esse jogo, e essa aliança em particular, é que foi a grande inversão no jogo do sírio. Porque a partir de agora ele muda sua estratégia por conta da saída da Ana Paula. Ao escolher seus alvos através dessa aliança, Kaysar coloca as diversas torcidas que antes o abraçavam com alegria e peito aberto com o pé atrás. Kaysar pode deixar de ser o queridão de todos e passar a ter adversários reais dentro e fora do jogo.

A grande questão é se ele vai conseguir manter o que ele fez o público acreditar ser a sua essência, a do cara que sofreu e aprendeu na vida a ser feliz. Porque Kaysar estrategista, magoado e ferido, não é necessariamente um Kaysar que vá divertir e encantar o público. A conferir!

 
O jogo do BBB18 até agora se mostrou um jogo atípico. Aqueles velhos motes de romance, amizades para o resto da vida, mulheres e homens bonitos e bem posicionados no jogo, nada disso está funcionando para as torcidas aqui fora. De um lado temos um grupo grande na casa disposto a jogar o que eles chamam de “game”, ou seja, disposto a encarar os adversários como meras peças no tabuleiro do jogo BBB.
Do outro, temos jogadores sem essa vontade de jogar, mas com pouca capacidade de engatar uma história cativante. Talvez por isso, o trio formado por Clara, Gleici e Mahmoud comece a chamar a atenção do público, pois mesmo sem existir um afeto real entre os três, começa a aparecer entre eles uma afinidade através de um jogo transparente ao público. E talvez eles construam uma alternativa ao jogo frio e calculado implantado pelo G7.
Dentro desse contexto, Ana Paula poderia estar batendo um bolão. Disposta ao jogo interno, com boa capacidade de enredar em sua teia seus dois parceiros de jogo, Patrícia e Diego, se impondo sobre a falta de personalidade de Patrícia e a omissão do Diego, Ana Paula inverteu seu jogo de grande rejeitada da casa para uma espécie de chefe dos votos combinados do G7. Mas Ana Paula é excessiva, não tem medida, não tem empatia com o outro seja aliado ou adversário, olha apenas para o próprio umbigo.
E, mais, desrespeita seus adversários num tanto que impossibilita qualquer defesa de seu jogo, apesar de ser um jogo interno competente. Chamar suas coleguinhas de confinamento de “vaca”, “vagabunda” e afins vai além do jogo, coloca a avaliação da Ana Paula de seus adversários no campo pessoal levando o público a julgá-la também de maneira pessoal. Essa personalidade excessiva pode ser a derrocada do jogo interno da bruxa do BBB. Ao não ouvir o outro, ao passar como um trator sobre as argumentações de seus aliados, Ana Paula atrai para si a antipatia do grupo.
Ninguém gosta de ser manipulado. Mas, ninguém tampouco ainda se colocou contra ela porque está sendo conveniente para todos. Paula soube que ia ser votada e pensou que uma boa estratégia seria ir para a cozinha, ser simpática com o trio e quase beijar o Breno na festa de ontem. Wagner sabe que Ana Paula manipula os votos dele e até o momento continua se submetendo a esse jogo. A votação de hoje à noite será um bom momento de redenção para Wagner. Ana Paula é a menos querida pela avaliação que eles fazem todos os dias, mas o G7 continua se perfilando com os desejos da bruxa. Estou aqui aguardando esse povo acordar e dar um sacode nesse jogo previsível de se defender de maneira tão oportunista.
Talvez de todos do elenco Kaysar seja a expressão mais próxima do jogo padrão do BBB. Kaysar é um indivíduo simpático, alegre, faz um jogo cativante que pode levá-lo à Final do Big Brother quiçá, ao prêmio tão almejado. Kaysar não se faz de vítima da vida e esse é seu grande mote. Ele é um turista solteiro curtindo o Brasil e o Rio de Janeiro, o que faz de seu jogo algo colorido sem necessidade de alardear sofrimentos externos. Kaysar disse que os brasileiros vão para o estrangeiro lavar prato e, no entanto, têm vergonha de exercer a mesma atividade aqui no Brasil. Mas essa é uma visão de um estrangeiro em outra terra, de alguém que não está inserido em sua própria cultura. Kaysar é formado em hotelaria e, acredito, tenha sonhos de crescer profissionalmente no Brasil. O jogo analisado tem que ser aquele jogado dentro da casa, as histórias aqui de fora pertencem a outro personagem que pouco nos interessa, senão teremos que falar da vida sofrida de todos os jogadores. Poucos ali têm vida fácil.
Neste jogo quem surpreendeu e foi muito além das expectativas foi o jogo da Ana Clara. O sonho era do Ayrton, mas quem se mostrou a grande jogadora foi sua filha. Sagaz, inteligente, com personalidade marcante Ana Clara só não voa mais porque tem sua imagem atrelada ao pai e seu jogo engessado nessa dobradinha que foi importante até o momento, mas que já perdeu sua finalidade. A ruivinha do BBB18 é um pássaro com as asas cortadas pela presença do pai. Ayrton saiu da postura do pai transgressor para o pai controlador. Acredito mesmo que essa relação tumultuada que assistimos entre pai e filha seja a verdadeira maneira como eles se tratam aqui fora.
E por mais que a gente critique determinadas atitudes do Ayrton foi ele que formou essa menina com uma visão de mundo capaz de abraçar a Gleici e apoiar o Mahmoud sem se preocupar com os códigos acenados pela turma balada top. Apesar de ter apenas 20 anos, Ana Clara mostrou mais maturidade e um olhar mais abrangente sobre o outro do que muitos que estão no jogo e são mais velhos do que ela. Suas opiniões sempre são embasadas com conteúdo e reflexão lógica sobre o assunto. Mas, ao mesmo tempo, ela é uma menina capaz de alimentar uma paixonite pelo Breno, ter um certo controle sobre essa paixão, mas sem arredar pé de seu desejo de mulher. Breno beijou uma boca que não deveria ter beijado e fez promessas veladas à pessoa errada porque Ana Clara mostrou não ser o tipo de pessoa que deixe situações passarem batidas em sua vida.
Ayrton até o momento teve um papel de segurar um pouco a filha nesse jogo, talvez sozinha Ana Clara tivesse sido mais ousada e se perdido em sua trajetória. Mas esse momento de retenção já passou, Ana Clara precisa alçar voos maiores e acredito piamente que se ela voltar do paredão desta semana a produção do programa deveria cogitar a possibilidade do público escolher quem eles desejam que siga adiante, Ana Clara ou Ayrton.

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