Mês: janeiro 2015

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O interessante desse jogo do BBB15 é que ele está diferente dos demais. Primeiro, há muito tempo não havia tantas pessoas interessantes num só jogo. Segundo, os jogadores estão fugindo dos argumentos clichês. Ontem as justificativas do confessionário pela primeira vez no início do jogo não falaram em voto por afinidade. A tônica do grupo não é pautada por “eu vim aqui para ser eu mesmo” ou “eu não vou jogar”. E, acho que isso acabou surpreendendo tanto público quanto participantes. É importante a gente ter essa ideia como norte para entendermos as circunstâncias que levaram Fran ao paredão. Fran se assumiu jogadora desde o início da temporada, aliás, Fran tomou esta decisão antes mesmo do jogo começar.

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Em sua chamada de apresentação ela disse literalmente: Vou ganhar aliados e depois vou queimar todos eles. Não adianta argumentar que isso são palavras vãs ditas na cadeira elétrica apenas para ganhar uma vaga no programa. Nos debatemos durante anos contra esse tipo de postura, de prometer uma determinada atuação e depois não cumprir a promessa. E, mais, se Fran tivesse dito isso em sua entrevista e tivesse entrado no jogo com outra postura a gente até poderia argumentar que aquela teria sido uma vã promessa feita para enganar os diretores do BBB.

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Mas, Fran entrou com tudo no jogo. Errado? Não, mas talvez bastante prematuro. Porque realmente no BBB vale tudo para ganhar, mas da mesma maneira que eles têm o direito de exercer o livre arbítrio, o público tem o direito de julgá-los em suas atitudes. Logo de cara Francielli procurou articular o grupo em torno dela, estava em todas as rodas de fofoca, articulou votos no Douglas e no Luan, procurou manipular o voto da líder Mariza, falou ao vivo que havia entregado a liderança para a Mariza como uma estratégia de jogo. Falou isso para os milhares de telespectadores que encaram o jogo do BBB como jogo sim, mas que não se esquecem que é um jogo que envolve relacionamento humano.

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As ditas tias do sofá, tão desprezadas e sacaneadas pela internet, olhadas com prepotência e preconceito, como se fossem idiotas e burras, são pessoa como nós: mães, professoras, juízas, advogadas, profissionais liberais, empresárias, artistas, donas de casa. Eu conheço um monte de gente que gosta e assiste o BBB e não participa das rodas de discussão da internet e todas são pessoas inteligentes e com uma vida profissional bem sucedida, ou donas de casa antenadas e participativas, enfim, não são burras ou idiotas. E não passaram procuração para que um bando de gente que se acha iluminado e visionário decretasse quem é bom jogador ou não, ou qual a melhor maneira de se assistir o Big Brother Brasil.

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Eles vão escolher assim como todo mundo. Mas, vão escolher levando-se em consideração que esse é um jogo que envolve gente e quando envolve gente existe sim uma ética e uma questão moral por trás do jogo. Quer a gente goste ou não. Porque o BBB não é jogos vorazes, é jogo de convivência. E não existe outro motivo para a gente assistir esse programa que não seja sob a ótica de observar um mini laboratório da sociedade em que vivemos. Aí está a riqueza do Big Brother, sua versão jogos vorazes é empobrecida e vazia. Mesmo assim, acho que o público aprendeu muito nessas 15 edições do programa. Hoje combinar voto deixou de ser um pecado e passou a ser considerado uma necessidade do jogo.

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Agora dizer que vai ganhar aliados e depois queimá-los entra num campo que é totalmente alheio ao dito jogo de tabuleiros. Isso sequer é arte da guerra já que uma das premissas da Arte da Guerra é que o comandante tenha as seguintes características: sabedoria, sinceridade, benevolência, coragem e disciplina. Portanto um líder numa batalha tem que ter benevolência diante de seu exército, sabedoria para escolher o melhor momento de atacar, coragem para liderar pelo exemplo e disciplina para não perder o foco. Apesar de ser cantada e decantada por aqueles que gostam de jogo, Fran está sendo uma péssima jogadora. Ela não está no paredão apenas por conta do Marco ter levado para o jogo suas declarações na cadeira elétrica. Ela está no paredão porque foi com muita sede ao pote. Subestimou seus adversários. Achou que ia entrar no jogo com um grupo focado na paz e no amor e que ela seria soberana em suas manipulações e estratégias. Se deu mal, pois diante da ameaça que ela representava o grupo rapidamente se articulou e a colocou no paredão. Fran foi precipitada ao colocar na mesa suas cartas contra o Fernando, acreditando que ele ficaria sentado aguardando suas investidas.

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Revelou-se ao público e ao grupo quando declarou no programa ao vivo que não quis a liderança por uma questão de estratégia de jogo, por não querer se expor. Como ela achava que o público e, principalmente seus pares, interpretariam essa declaração? Da única maneira possível, ou seja, ela não se expôs e jogou no fogo a Mariza entregando um carro e 10 mil reais como moeda de troca. Me dê sua vontade e lealdade em troca de trinta dinheiros. Se ela vai sair ou não, isso já é outra história que depende de mobilização das torcidas pró e contra e da casa não perder a mão no processo de demonização da Fran.

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E, pior, a grande jogadora da temporada, além de fazer esse monte de besteira logo na primeira semana, agora, depois que viu o tamanho de seu engano quer dar uma de vítima. Em conversa com Cezar na academia, Fran, nos julgando idiotas, afirmou que tudo não passou de brincadeira, que ela estava bêbada quando chamou Fernando para o embate, que eram apenas palavras vãs, assim como as da cadeira elétrica, sem nenhuma intenção de ter verdade.

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Nessa conversa com o Cezar, Fran traz de volta ao jogo noções como ser “do bem” ou “do mal” como uma cortina de fumaça para esconder suas reais intenções. Está, num ato de desespero e covardia, trazendo ao jogo sua faceta mais miserável, o jogo de vítima do grupo. Mas, alguém que fofocou, falou mal de todo mundo, articulou votos no Fernando, Luan e Douglas e se expôs tentando manipular a cabeça da Mariza jamais poderá ser vítima das circunstâncias. Fran é vítima sim, mas não do grupo, do Marco ou Fernando ou até mesmo da produção do BBB. Fran é vítima de si mesma, de seu excesso de esperteza e falta de inteligência.

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Fernando começou bem no jogo com a mulherada dentro e fora do programa suspirando por ele. Não que Fernando seja precisamente bonito, mas Fernando tem uma beleza máscula misturada a uma doçura no falar que é bastante atraente. Fora o corpão tatuado e outros atributos reservados a canal fechado depois da meia noite. Fernando sabe que faz sucesso com as mulheres e isso talvez tenha sido seu calcanhar de Aquiles nesses primeiros dias. Com um elenco que não prima pela beleza física, ou melhor, com padrões de beleza que fogem à perfeição encontrar um par nesse elenco teria que necessariamente lidar com o fator tempo. Pois só conhecemos de fato às pessoas com o passar do tempo e o conhecimento de seus defeitos e qualidades. Mas Amanda chegou com toda a disposição de arrumar uma história romântica nesse jogo e não deu espaço para que Fernando fosse cobiçado por outras mulheres. Correu para dividir a mesma cama com Fernando, marcou em cima, fincou sua estaca e estampou título de propriedade.

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Fernando deixou-se levar pela maré. Esse foi seu primeiro e principal erro, pois em dois dias a produção do Big Brother colocou no jogo duas louras de arrasar quarteirão. Fernando ficou vendido e atraído pela Aline e ela por ele. Muita gente diz que é jogo. Mas e se for? Cada um joga da maneira que quiser até mesmo porque nesta primeira semana tanto Fernando quanto Aline mostraram que não fugirão do jogo de estratégia. Portanto, se eles querem beijar na boca este é apenas mais um plus no programa. E, convenhamos, eles são um casal bonito da gente admirar. Mas Amanda não ia deixar barato essa história. Ainda não sei se por sua personalidade ou por jogo, Amanda encarnou o personagem de atração fatal e começou a protagonizar cenas deprimentes de humilhação, cenas essas que matam de vergonha toda e qualquer mulher com um pingo de autoestima.

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Não vou julgar quem se humilha ou se humilhou numa relação amorosa. Acho que nós seres humanos quando colocados diante de uma situação de rejeição somos capazes de atitudes que a gente não espera. Mas, isso se aplica a uma relação amorosa, um relacionamento de fato e não um sei lá o que em dois dias de BBB onde duas pessoas apenas dividiram a mesma cama, sequer trocaram um beijo. Não tem julgamento emocionado que consiga desculpar a Amanda e não se sentir envergonhado pela maneira como ela implorou e acuou Fernando. Parecia que eles tinham uma relação de anos e que Fernando estava abandonando o lar com cinco filhos pequenos. Foi então que Fernando cometeu outro erro: se deixou acuar pela Amanda e por algumas horas quase colocou todo seu jogo a perder. Depois de ter ficado e beijado Aline, Fernando puxou o freio de mão e declarou que então que, diante das lágrimas de Amanda, não ficaria com nenhuma das duas.

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Eu sinceramente entendo toda a confusão do Fernando. Poucos homens sabem lidar com o término de um relacionamento e nesse caso particularmente sequer havia uma relação, havia somente a loucura (ou jogo) da Amanda a dominar a conversa. Vocês imaginem uma pessoa estar num Big Brother e se deparar com algo assim. Qualquer atitude poderia ser mal interpretada, um deslize apenas e o cara sairia de safado e moleque diante daquela mulher sofrida que mesmo depois dele dar todas as dicas que não a queria ela continuava a afirmar para todos na casa que existia sentimento entre os dois. E, mais, ameaçando Fernando com um possível fã clube que, parece, existe apenas em sua imaginação. É difícil mesmo galera. Não tiro a responsabilidade do Fernando que permitiu que houvesse algum tipo de carinho entre eles, mas como saber o nível de loucura a que ele havia se submetido?

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Amanda é caso perdido. Jura de pés juntos que Aline não ficará hoje no jogo, que seu fã clube a tirará da casa e que ela e Fernando voltarão a ter uma história. Felizmente, Fernando despertou a tempo. Teve uma atitude de homem, falou grosso com Amanda, disse que ficaria com Aline porque era o que ele estava com vontade de fazer. A casinha da Amanda caiu, mas é preciso que caia um pouco mais porque loucura no BBB é bom, mas tem um limite para essa loucura. Aline precisa muito ficar nesse jogo. É imperativo que a gente quebre as pernas da Amanda e fazê-lo cortando o mal pela raiz e não esperando um momento futuro. O momento é esse. Além disso, Aline mostrou que tem disposição para enfrentar esse jogo, rapidamente se mesclou ao grupo, mostrou-se esperta ao alertar Fernando que a indecisão dele era péssima para os dois. Já conversou sobre jogo com Marcos, não está se furtando a viver a casa e tampouco a falar de jogo. Aline merece nosso voto. Aline merece ficar. Fica Aline!

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BBB bom é aquele que tem um enredo, uma história para contar. Além, é claro, de participantes que estejam dispostos a enfrentar o jogo sem medo de dar a cara para bater. Esta edição está desse jeitinho o que resgata o nosso gosto de assisti-la. Desde sua estreia nós temos ficados acordados acompanhando o desenrolar dos conflitos, das conversas, das alianças, sem conseguir desgrudar os olhos com medo de perder algum lance importante. E o melhor, nenhuma situação de conflito foi gerada por intervenção direta da direção do programa. A Prova da Comida hoje sequer teve a presença do Vinicius Valverde o que nos leva a acreditar que a promessa de um confinamento mais rigoroso está sendo cumprida.

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Nesta primeira semana temos diversos pontos de tensão: as articulações da Fran buscando montar um grupo de aliados, a investida do Marco tentando quebrar esse jogo da Fran, o conflito entre Aline e Amanda que tem o Fernando no meio. E no desenrolar dessas histórias o jogo começa a se delinear, tudo levando a crer que teremos o embate entre dois grupos com estilos diferentes de jogo. Um jogo mais articulado, pensado e outro mais espontâneo. E esse espontâneo não é no sentido de dizer que eles não estarão jogando, mas como disse o meu amigo Oswald, eles não teriam um roteiro definido. Fran sabe o que ela quer, está cumprindo as promessas que fez na cadeira elétrica, portanto ela está no grupo do jogo mais pensado. Ela caiu de cabeça no embate, chamou o Fernando para o jogo, se declararam oponentes, já que o Fernando disse que jogará de outra maneira, mais com o coração. Fran deu uma liderança à Mariza como instrumento de articulação. Passou a noite da festa articulando para buscar aliados. Jogo legítimo.

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Mas, Fran não está sozinha no jogo e nem pode ter a pretensão de que os demais jogadores ficarão sentados olhando sua movimentação e batendo palmas pra maluco dançar. Quando chamou o Fernando para o jogo Fran tem que esperar que ele também comece a mexer seus pauzinhos. Ou que o Marco contra ataque com a arma que tem contra a Fran, ou seja, suas declarações na cadeira elétrica de que ela faria aliados e depois trairia todo mundo. Existem algumas pessoas que acham que o Marco está sendo mau caráter em usar esse trunfo contra a Fran. Mau caráter por quê? Que lealdade o Marco deve a Fran para preservá-la dessa história? Outros acham que ele está sendo precipitado.

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Mais uma vez eu pergunto a vocês, precipitado por quê? Quando vocês queriam que ele usasse essa arma? Depois que a casinha da Fran estivesse montada e seu jogo de aliados sacramentado? Com o povo já confiando nela e duvidando do Marco por não ter falado assim que o jogo começou? Quanto ao fato dessa ser uma informação de fora, o Marco não tem culpa se foi convocado de última hora ou se a produção do BBB15 não teve a ideia de confinar o povo que ficou de stand by para possíveis desistências. Tampouco acho que o Marco deveria ser proibido de falar o que ele sabe. Por quê? Essa não seria uma maneira da direção intervir no jogo? Além de tudo, o próprio grupo pode questionar essa informação do Marco, a Mariza chegou a fazer isso ontem. Com a decisão de abrir esta informação para o grupo o Marco, assim como Fran, está apenas se expondo demais para o grupo, mas não está de todo errado em fazê-lo. Então deixa o jogo rolar, como cada um vai utilizar as armas que tem, é um problema individual. Pedimos um jogo com poucas intervenções da direção. É o que estamos ganhando. Ponto!

LiderCarro01Mariza faturou a liderança de hoje. Ela não apenas surpreendeu como emocionou as redes sociais. Independente de possíveis simpatias já conquistadas nesse início de temporada, a reação à vitória da senhora de 51 anos, totalmente fora dos padrões do programa, foi totalmente positiva. Todas as torcidas ficaram felizes com a vitória da Mariza. Porque é mesmo para se ficar feliz, uma das coisas que alimenta o Big Brother são os exemplos de superação. E Mariza se superou lindamente. Assim como eu, muita gente chorou com a vitória da Mariza. Mas, a gente deve dar os louros a quem eles pertencem.

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E, neste caso, a construção dessa liderança passou pelas mãos da eficiente e determinada Francielli. Ela levou à vitória uma grupo desacreditado pelos companheiros e pelo público. Não se pode lhe tirar esse mérito. Fran foi incansável e virou a mesa lindamente. Motivou seu grupo, costurou uma aliança forte entre eles, fofocou sobre os demais participantes, segurou a onda do Adrilles e da Mariza em seus momentos mais difíceis. E, tudo indica, entregou a liderança de bandeja para a Mariza. Francielli está cumprindo o que prometeu na cadeira elétrica e isso é bastante promissor para o jogo. Fran tem essa força, mas resta saber como ela a utilizará ao longo do jogo, pois existe uma diferença muito tênue entre ser manipuladora e ser maldosa. A roda de fofoca já está estabelecida, Fran e Tamires são suas capitãs. O que pode dar muito certo ou muito errado. Manipular o jogo é sempre uma armadilha para o jogador. Vamos ver se a Fran é mais inteligente do que esperta.

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Talvez essa prova tivesse sim mais méritos se realizada mais a frente, com as alianças mais estabelecidas e principalmente com as torcidas mais engajadas. No entanto, como os participantes dessa edição não estão muito preocupados em fazer tipo, essa divisão de grupos serviu para acirrar antipatias, desenhar melhor o jogo de cada um para o público, montar a arena para o grande embate. Porque esse BBB promete grandes embates. Justamente pelo despojamento dos jogadores e sua maior sinceridade em cena. Tudo leva a crer que as discordâncias serão enfrentadas, pois apesar de já existir um clima de amizade entre alguns, no geral, no grupo como um todo não está tendo aquele oba-oba de que somos todos amigos e estamos no jardim de infância para nos divertirmos. Existem simpatias, mas me parece, existe também uma consciência reinante de que eles estão num jogo e de que não serão amigos para sempre.

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