Mês: dezembro 2013

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E, dizem por aí, a Sabrina voou. A Record confirmou que está em negociações com a apresentadora. O que, no senso comum da boataria, é praticamente a confirmação dos rumores de que a Sabrina vai mudar de emissora no próximo ano. Sabrina cresceu muitos nesses dez últimos anos. Da menina moleca ficou muita coisa. Ficou a simpatia, a alegria de viver, o riso solto, o jeitinho bem brincalhão. Mas quem conheceu a Sabrina assim que ela saiu do BBB3 e foi para a Jovem Pan fazer rádio se espanta com sua atual maturidade.

Sabrina superou sua fase no Pânico, o papel de boazuda já foi cedido às outras meninas que hoje passam pela maioria dos constrangimentos que já atingiram Sabrina no programa. Mas o Pânico foi um aprendizado. Sabrina hoje está com 32 anos e no momento certo para alçar novos voos Vai dar certo? Não sei. Mas mesmo que dê tudo errado, já deu certo porque o nome Sabrina Sato hoje é grife.

E não se tornou grife porque a japinha recém-saída do Big Brother tomou um banho de loja e mudou as características que ganharam uma legião de fãs durante o reality show. Pelo contrário, ela manteve-se fiel às suas origens, carregou nas tintas em sua inocência e desligamento e criou o personagem de mulher bonita e burra que apresentava no Pânico. A mulher sofisticada de hoje apareceu quando Sabrina já era um sucesso de público. O polimento foi gradual.

Hoje muitas das meninas que participam do BBB gostariam de ter a projeção nacional da Sabrina. Mas, sucesso não tem regra, cada um tem seu rumo. Grazi Massafera trilhou o caminho de atriz da Rede Globo. Muitos acham que a Grazi virou atriz porque tomou um banho de loja e sofisticou sua imagem afastando-se do circuito BBB. Pelo contrário, a Grazi teve que fazer esse percurso porque já tinha um convite do Manoel Carlos para ser atriz em uma de suas telenovelas.

Então, foi preciso adaptar a menina do interior do BBB à imagem de uma atriz global morando no Rio de Janeiro. O sucesso da Grazi não foi feito pelo banho de loja que ela recebeu e sim pelo convite que ela teve ao sair do BBB5. Portanto, o banho de loja por si só não garante o decolar da carreira de ninguém, muitas vezes pode ser uma camisa de força.

Dizem que a Iris Stefanelli é um dos nomes cotados para substituir Sabrina Sato no Pânico na TV. Espero que seja verdade. Iris é outra que sempre foi fiel às suas origens e nunca deu às costas a sua trajetória no Big Brother. Interessante que duas das três mais bem sucedidas ex-BBB´s iniciaram suas carreiras com uma assessoria sem experiência, apostando muito mais em seu instinto do que em fórmulas pre-estabelecidas.

Fico feliz se Iris for para o Pânico, acho que ela será uma bela aquisição ao humor caustico da trupe porque Iris, assim como Sabrina, também é um personagem meio non sense. Diferente, claro, pois cada uma tem seu próprio estilo.

Quanto à Sabrina, esse é o momento dela tentar sua carreira solo. Ela está na idade certa e com dez anos de Pânico como experiência. E, diferente de outros que deixaram o Pânico, Sabrina tem cacife suficiente para se estabelecer, ela é um nome nacionalmente reconhecido, tem uma legião de fãs cativos e é bastante inteligente e bem assessorada para dar essa guinada em sua vida profissional. Boa sorte Sabrina! Estamos torcendo por você!

FELIX

 

Ser noveleiro já teve um sentido pejorativo. Talvez por herança das tramas rebuscadas das novelas latinas, o termo era associado às senhoras donas de casa com tendências românticas incuráveis. Homem não assistia novela. Os grandes dramas das novelas mexicanas eram considerados de péssimo gosto cultural, subcultura, quase lixo. Eu não sei se o público mudou, mas as novelas mudaram, ganharam vertentes modernas, nova roupagem, e, consequentemente, novo status.

No entanto, no fundo, o mote das histórias continuou o mesmo, um bom vilão, um herói e heroína arrebatadores, romance, intrigas e traições. Tudo culminando no famoso final feliz, afinal de contas se é para assistir a história dar errado, não precisamos de novela, basta abrir o jornal, olhar para o lado, muitas vezes olhar para a própria vida, que o desastre e triste fim já são suficientes.

Novela é para nos deixar felizes, torcendo contra os maus e a favor do bem. Novela, em minha opinião, é por essência maniqueísta. Nesse sentido, talvez seja essa falta de definição entre bem e mal que nos deixa tão confusos quando assistimos Amor à Vida. E tão impotentes, revoltados e carentes, pois nunca assisti numa única trama tanto personagem tão mau caráter de uma tacada só. Por mais triste que seja a vida, ninguém é cercado por tanta falta de humanidade. Felizmente o mundo não é assim.

Walcyr Carrasco conseguiu a proeza de transformar a fantasia numa realidade com poucos vislumbres de bondade, pior que vida real. Talvez esse tipo de fantasia que nos soca o estômago pelo falta de bons sentimentos funcione no cinema. Mas, novela? Novela invade nossa casa diariamente, participa da mesa de jantar, senta no sofá junto com nossa família. E, nesse sentido, existe muito pouco para se admirar e partilhar em Amor à Vida enquanto jantamos ou dividimos o sofá de nossa sala.

Todo o ritmo frenético das primeiras semanas se perdeu numa teia de personagens que têm o mal enquanto premissa. Até os personagens que poderiam cair no gosto popular se perderam na trama. Por exemplo, o casal Michel e Patricia que era interessantíssimo nos primeiros capítulos, no entanto ao longo da trama seu romance deixou de empolgar. A mistura de personagens louquinhos, jovens e bem humorados se foi nas idas e vindas do casal.

Se Amor à Vida fosse o BBB já estaria rolando nas redes sociais a teoria da conspiração de que o casal coadjuvante teve seus personagens esvaziados para não tirar o brilho do casal protagonista. O que acredito teria acontecido se o autor não tivesse mudado o rumo da prosa de Michel e Patricia. O problema é que os protagonistas Bruno e Paloma são em sua essência chatos, e isso não tem nada a ver com Malvino Salvador e Paolla Oliveira. Tem a ver com o autor da novela.

Herói bom de telenovela tem que ser macho alfa, redentor da mocinha, provedor, meio príncipe encantado montado em seu cavalo branco. Que me desculpem as feministas, mas esse é o imaginário ideal do herói das grandes telenovelas. Nesse sentido, Bruno é fraco, não faz o público feminino sonhar e suspirar de desejo de ser sua heroína numa fantasia romântica. Até o possível triângulo amoroso da trama foi desperdiçado quando o Ninho se transformou num psicopata sem concerto.

Aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, restou a Paloma e Bruno uma separação provocada por uma armadilha pouco convincente da vilã mor da novela, a cabocla (como é chamada nas redes sociais) Aline. Poucos personagens foram poupados por Walcyr Carrasco. Os erros não são pequenos, quase todos têm desvios sérios de caráter. Nem mesmo o núcleo pobre da novela foi poupado das cretinices e mau-caratismo. Pobreza como sinônimo de bondade não é para Walcyr Carrasco. A gente sabe que bondade e pobreza não necessariamente andam juntas, mas ele não precisava ter exagerado tanto na dose.

Não existe ninguém a quem amar incondicionalmente em Amor à Vida. E nós, público noveleiro, precisamos dessa válvula de escape. Então, por fim, acabamos elegendo o Felix como objeto desse afeto. Graças às inconsistências do personagem, pois homossexual enrustido jamais teria os trejeitos permitidos ao Felix em Amor à Vida, Mateus Solano compôs um Felix cheio de maneirismo, jargões, numa atuação tão cativante que conquistou o público para torcer por seu final feliz. Em Felix, a gente encontra a dose certa de maldade, humor e ternura que nos incentiva a ligar a TV todos os dias. Pois, sinceramente, amor à vida passou longe das mal traçadas linhas da novela transformando toda a trama numa diária celebração de amor à morte.

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